Elisa Mariz
Professora e Escritora
com sólida formação acadêmica e ampla experiência nas áreas de gestão, educação e envelhecimento ativo.
Sobre Elisa
É Mestre em Administração Estratégica e Doutora em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e Universidade de Coimbra, Portugal
Atuou como pesquisadora visitante na Universidade de Oxford (Inglaterra), com foco em envelhecimento ativo, protagonismo e vida plena para pessoas com mais de 60 anos
De 1974–2000, construiu carreira executiva no Banco do Brasil, em Guarulhos e São Paulo, com atuação em agências e na superintendência, desde a execução até o nível estratégico.
Entre 2002 e 2020, dedicou-se ao ensino superior, lecionando disciplinas como Gestão de Pessoas (UNINOVE), Comportamento e Bem-Estar na Maturidade (PUC-SP), Metodologia e Orientação de TCC (UNIFESP) e Administração Estratégica de Pessoas (UMC).
Nos anos seguintes, ampliou sua atuação na formação de educadores e lideranças:
2021–2022: Formadora no projeto de capacitação de diretores da educação infantil na Prefeitura de São Paulo.
2022–2023: Facilitadora no Centro Lemann, em São Paulo e Mata de São João (BA), com foco em liderança educacional para a equidade.
Autora de contos, crônicas e biografias, publicou os livros Além dos 60: lições de vida de brasileiros e portugueses (2015), Memórias de Dadinha (2019), Salviano: Caminho para Itabaiana (2022) e Ulugam (2024), voltado ao público infantojuvenil. Participou de dez coletâneas literárias, compartilhando histórias que atravessam gerações e experiências de vida.
Projeto +Viver
Propósito e bem-estar para viver com sentido: caminhos para uma velhice plena.
Cada pessoa carrega uma história única — feita de afetos, sonhos, objetivos, escolhas e memórias. As atividades propostas em rodas de conversa, oficinas, cursos e palestras não constituem apenas eventos pontuais, mas espaços vivos de troca, escuta e construção de projetos, com sentido para vida.
Missão – Promover o protagonismo das pessoas, inspirando vidas com sentido, autonomia e bem-estar.
Visão – ser referência no envelhecimento ativo.
Valores – Comprometimento, disciplina, ética e transparência.
Eixos Temáticos.
Memória, Afeto e Identidade.
Resgatar o tempo vivido, valorizar o que emociona e fortalece, compartilhar quem se é.
Sabores da Memória, histórias de infância, saberes populares e risos compartilhados fazem parte dessa dimensão que nutre o vínculo com o outro e consigo mesmo.
Autoconhecimento, Autonomia e Protagonismo.
Envelhecer também é descobrir-se de novo. As atividades convidam cada participante a refletir sobre sua trajetória, fazer escolhas conscientes, cuidar de si e manter-se autor da própria vida.
Sentido, Cultura e Expressão.
A vida tem muitas camadas. Nas oficinas e cursos, promovemos espaços de criação e pensamento, onde arte, filosofia, espiritualidade e saberes cotidianos se entrelaçam para alimentar o espírito e a mente. Porque nunca é tarde para perguntar, aprender, criar e se emocionar.
Esses eixos se cruzam e se complementam, abrindo espaço para que cada longevo continue a sua missão de compartilhar, construir e transformar.
Programa
Rodas de conversa, oficinas, cursos e palestras que promovem memória, identidade e vínculos humanos
A partir de temas como histórias de vida, lugares marcantes, sabores da memória, humor e legado intergeracional, propõe caminhos de expressão e reflexão. São experiências que despertam a criatividade, fortalecem o autoconhecimento e acolhem a sabedoria acumulada ao longo da vida. Com foco no bem-estar físico e emocional, no protagonismo na maturidade e no sentido existencial, a proposta convida à escuta, à partilha e à construção de uma vida mais consciente, conectada e significativa.
Processo de Trabalho
Nosso serviço é totalmente personalizado, sendo planejado, preparado e executado a partir de uma pesquisa prévia, que visa identificar as necessidades reais e os potenciais das pessoas. Com base no diagnóstico, buscamos trabalhar a plenitude individual e coletiva, criando condições para o florescimento das capacidades e da autonomia dos participantes.
Do primeiro passo até a conclusão, estimulamos as pessoas a refletirem sobre sua jornada de vida, trazendo à superfície talentos que estavam adormecidos ou escondidos.
O objetivo é ajudar a colocar esse potencial em prática, de forma que cada participante se aproprie do processo e possa vivenciá-lo de forma ativa e transformadora.
Ancorado no Pensamento Sistêmico, nas Metodologias Ativas e no Design Thinking, nosso trabalho é fundamentado em três pilares essenciais: Empatia, Ética e Experimentação.
Crônicas
Família e Identidade
Há pessoas cuja história se constrói em camadas discretas, fechadas e quase inacessíveis dado um estilo reservado, prudente, talvez decorrente de momentos difíceis, guardados a muitas chaves, mas que se revelam no silêncio de uma luta constante diante das agruras da vida.
A trajetória de Alice é feita de lembranças que permanecem. Nasceu em um ambiente árido, de pouco acolhimento e escassas oportunidades de educação. Na juventude, sentia-se incompleta, sem referências e apoio familiar. Diferente dos primos e colegas de escola — provenientes de famílias reconhecidas e bem estruturadas —, Alice mantinha um perfil discreto, mas era sensível às demandas de seus pares e dos adultos nas relações do cotidiano. Com olhar perspicaz e escuta atenta para aquelas pessoas por quem tinha muita admiração, observava os hábitos e gestos, que, embora pouco compreendidos na época, hoje ela reconhece que formaram a base de sua identidade.
Na infância, o lugar de maior conforto era a casa dos avós, onde preferia passar a maior parte de seus dias. Ali, as vozes preenchiam os espaços — e para uma boa ouvinte, aquele era um verdadeiro santuário. Os domingos tinham cheiro de grelhados e sons de conversas entrelaçadas ao aroma do café. A mesa era o centro da vida familiar — e, ainda que esse ritual hoje não se repita, permanece como uma raiz invisível: a certeza de que o afeto se constrói nos detalhes do cotidiano.
Muitos episódios, que para a menina de sete anos pareciam simples rotinas, mais tarde revelaram-se pilares de seu alicerce emocional. A mãe, com sua paciência em atender às exigências do lar e de um marido severo; o pai, homem rude, mas honesto em seus negócios; e a avó — figura marcante, decidida e à frente de seu tempo — guiava a vida com coragem e determinação. Tomava decisões importantes nos negócios da família, era firme e verdadeira, mesmo que isso lhe custasse desconfortos. Curiosa e interessada em aprender, buscava facilitar e melhorar as condições do dia a dia, no ambiente doméstico e no trabalho da fazenda. Relacionava-se com diferentes tipos de pessoas — desde trabalhadores que executavam tarefas simples, passando por líderes políticos, religiosos e figuras do mundo financeiro que frequentavam sua casa. A palavra dita frente a frente, era um compromisso, tinha valor de uma assinatura. Admirada por muitos, ela foi para Alice uma presença forte e um modelo de ousadia e discernimento
Essas memórias guardadas em um canto silencioso da mente foram como sementes lançadas em solo fértil. A cada lembrança acessada, outras surgem — não como respostas ao presente, mas como reconhecimento da textura da vida que se formou devagar, em camadas, dando firmeza à sua jornada. Há lembranças que falam por si, como páginas que se leem com os olhos da alma.
Se pudesse voltar no tempo, Alice reviveria cenas como os risos no quintal e as conversas dos adultos no alpendre à noite. Suas perguntas, por vezes, passavam despercebidas, como se o ambiente não tivesse espaço para a presença infantil. Um amigo da família, poeta nato e funcionário público da cidade vizinha, era visita frequente — encantava a todos com poesias e poemas, próprios e de clássicos, recitados à luz do luar, como “Ora direis ouvir estrelas”, de Olavo Bilac. Aquilo era um espetáculo mágico em um cenário simples e acolhedor, de iluminação natural.
Esses momentos semearam sua personalidade, que começou a se firmar por volta dos dezessete anos, quando se deparou com escolhas importantes. Foi quando entendeu que não poderia agradar a todos, e sim estar em paz consigo mesma. Com esse amadurecimento, passou a valorizar a escuta, o trato sensível com as emoções e a coragem de encarar a verdade, mesmo que fosse dura.
Ainda enfrenta dificuldades para controlar a impaciência. Já viveu perdas e desafios na saúde, heranças genéticas difíceis de entender, mas antes que se tornassem irreversíveis, aprendeu a enfrentá-las com sabedoria. Respirar fundo antes de reagir se tornou um novo hábito. Também aprendeu que firmeza pode e deve caminhar lado a lado com gentileza, mas nunca pode ser abandonada.
A avó já se foi, mas sua imagem permanece como um talismã. Nos momentos difíceis, Alice recorre às lembranças de uma época e um lugar em que o ritmo das pessoas em suas interações e atividades era lento, com tempo para experiências, trocas, ensinamentos, diferente da atual sociedade, a líquida, em que hábitos e rotinas sob as quais agem seus membros mudam num tempo mais curto do que o necessário para a consolidação do modo de viver e agir, como disse o sociólogo, Bauman.
Na infância, sonhava em ser médica. Brincava com as primas de cuidar de bonecas, fazer curativos, realizar “cirurgias”. O sonho, no entanto, tomou outro rumo. A vida a levou por caminhos diferentes, mas o encanto de cuidar, de estar presente e de transformar não se perdeu, apenas se reinventou e foi direcionado para a educação, um meio de transformar vidas.
Se pudesse refazer algumas escolhas, gostaria de ter sido mais ousada e valente diante de certas encruzilhadas. Teria buscado mais apoio, pedido mais conselhos, dito mais “sim” a si mesma. Ainda há tempo para aprender, mas reconhece que cada decisão foi um degrau de uma escada que ela continua a subir — agora, em passos mais lentos, mas ainda firmes, em busca de espaço para seguir em frente, ativa e vigilante.
Ser protagonista da própria história. Ser ponte entre o que foi e o que ainda pode ser. Um lastro precioso que a sustenta, mesmo quando o vento sopra em outra direção — e é isso que ela quer seguir compartilhando. Hoje, com otimismo e consciência, desfruta o último ciclo da vida. Sua motivação ao se levantar pela manhã não é o sucesso, nem o reconhecimento, tampouco o dinheiro. É o café feito por alguém querido? A música que toca de repente? A flor no quintal em plena cidade cinza?
É algo maior: a necessidade de se mover, de concluir projetos já iniciados, de estar próxima de quem ama, de cuidar, de semear e deixar exemplos. Deseja que sua história, ainda que simples, possa ser inspiração — um mapa, uma travessia em direção ao que se busca.
O sentido da vida, que a guia desde a adolescência, revela-se nos gestos simples e nos grandes silêncios. Segue em frente sem todas as respostas, mas com o coração aberto e o desejo sincero de encontrar, com coragem, caminhos para lidar com as dores.
Porque viver bem, agora, um modo de vida diferente, não é apagar o que foi, É integrar. É reconhecer que as experiências vividas — das simples às complexas, — deixaram marcas que hoje sustentam sua maneira de estar no mundo. E nisso, há um aprendizado profundo: saber que cada tempo vivido tem valor, e que a vida, a bondade da vida, o sentido da vida, a identidade, não se mede só pelos passos do momento e à frente, mas também pela delicadeza com que revisitamos o caminho já trilhado.
Viktor Frankl, neurocientista, psiquiatra austríaco e sobrevivente dos campos de concentração, escreveu que a vida tem sentido em qualquer circunstância. Não se trata de perguntar o que esperamos da vida, mas o que a vida espera de nós. Não é apenas sobre encontrar um grande propósito, mas de viver como quem responde — todos os dias — à pergunta que a existência nos faz.
Entender-se como ser único — diferente de irmãos, pais, amigos — é parte do essencial da autocompreensão. Pode haver afinidades, gostos e valores compartilhados, mas cada um constrói seu próprio significado, sua própria forma de estar no mundo. Alice reconhece que lhe faltaram os primeiros estudos em filosofia — uma ausência sentida —, mas também reconhece que foi no convívio com a família, especialmente com a avó, que encontrou seu norte, sua identidade. Foi ali que surgiu seu lastro: um chão firme onde plantou sua coragem, sua curiosidade e sua força de seguir em frente.
Elisa Mariz
Pesquisadora do envelhecimento ativo
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